Retomando os Movimentos: Atividade Física e Reabilitação Após a Cirurgia Cardíaca

A reabilitação começa antes da cirurgia cardíaca, com a pré-habilitação, e continua no hospital, em casa e na clínica. Entenda como a atividade física supervisionada acelera a recuperação e protege o coração a longo prazo.

Retomando os Movimentos: A Recuperação que Consolida o Sucesso da Cirurgia Resumo do Artigo: Uma cirurgia cardíaca bem-sucedida merece uma recuperação igualmente cuidadosa. A reabilitação cardiopulmonar é uma linha de cuidado contínua que começa antes da operação, com a pré-habilitação, segue durante a internação hospitalar e se estende para casa e para a clínica após a alta. Com o acompanhamento integrado do cirurgião cardiovascular, do cardiologista, do fisioterapeuta especializado e demais membros da equipe multiprofissional, o paciente recupera o fôlego, a força e a confiança para retomar a vida com segurança e qualidade.

“Vou operar o coração. Quando voltarei à ativa?” Essa é uma das perguntas que mais ouvimos dos pacientes e de seus familiares no consultório. Será que vou poder caminhar? Quando poderei subir escadas? É normal sentir cansaço? Quem vai acompanhar a minha recuperação?

Essas dúvidas são absolutamente naturais. Uma cirurgia cardíaca bem-sucedida merece uma recuperação igualmente cuidadosa, e esse cuidado começa antes mesmo da operação, continua durante a internação e se estende após a alta hospitalar. Procedimentos modernos, como a cirurgia cardíaca minimamente invasiva encurtam de forma expressiva esse caminho, mas não eliminam a necessidade de uma reabilitação estruturada.

Hoje sabemos que os melhores resultados são alcançados por meio de uma linha de cuidado integrada, envolvendo o cirurgião cardiovascular, o cardiologista, a equipe de enfermagem, o nutricionista e o fisioterapeuta especialista em reabilitação cardiovascular. Ao longo deste artigo, vamos explicar cada etapa dessa jornada e mostrar como a atividade física orientada devolve ao paciente a sua independência.

Este conteúdo foi desenvolvido em colaboração com Marcos Antônio da Silva Ferreira Júnior, fisioterapeuta (CREFITO-13 / 80255-F), especialista em Fisioterapia Cardiovascular (RQE 1140180019) e em Fisioterapia Respiratória (RQE 1020241037), coordenador da Fisioassist Reabilitação Cardiopulmonar e parceiro da equipe multidisciplinar da Cardio Assist.

1. A RECUPERAÇÃO COMEÇA ANTES DA CIRURGIA: A PRÉ-HABILITAÇÃO

Muitas pessoas ainda acreditam que a fisioterapia só começa depois da cirurgia cardíaca. Entretanto, quando o procedimento é programado, existe uma oportunidade valiosa de preparar o organismo para enfrentar melhor esse desafio. Essa etapa recebe o nome de pré-habilitação cirúrgica.

Antes da operação, o fisioterapeuta realiza uma avaliação completa da capacidade física, da função pulmonar, da força muscular respiratória e da tolerância ao esforço. Com essas informações, é elaborado um programa individualizado que pode incluir:

  • Exercícios aeróbicos supervisionados, ajustados à condição clínica de cada paciente.
  • Fortalecimento muscular global e treinamento específico da musculatura respiratória.
  • Orientações práticas sobre o período de internação e os cuidados após a alta.
  • Esclarecimento de dúvidas para reduzir a ansiedade do paciente e de seus familiares.

As evidências científicas mostram que pacientes submetidos à pré-habilitação apresentam melhor capacidade funcional, recuperação mais rápida da função pulmonar, menor incidência de complicações respiratórias e maior independência nas primeiras semanas após a cirurgia.

2. CIRURGIA E REABILITAÇÃO: DUAS ETAPAS DO MESMO CUIDADO

Após sua cirurgia cardíaca, a equipe de fisioterapia hospitalar inicia precocemente a mobilização, os exercícios respiratórios e o estímulo ao retorno gradual das atividades, sempre respeitando as condições clínicas de cada paciente.

Essa mobilização precoce é um dos pilares dos modernos protocolos de recuperação acelerada (ERAS) que aplicamos na Cardio Assist. Sentar na poltrona, alimentar-se e dar os primeiros passos ainda no primeiro dia após a operação previne complicações e prepara o paciente para receber alta com mais segurança.

Mas a recuperação não termina quando a internação acaba. Pelo contrário: é justamente na transição para casa que o acompanhamento especializado faz a maior diferença.

3. RECEBI ALTA. E AGORA? A REABILITAÇÃO DOMICILIAR

O retorno para casa costuma ser o momento de maior insegurança. Muitos pacientes têm medo de fazer esforços e acabam permanecendo em repouso por tempo excessivo. Outros acreditam que já podem retomar suas atividades normalmente. Nenhum dos extremos é o ideal.

A recuperação precisa acontecer de forma progressiva, respeitando a cicatrização, a capacidade física e a adaptação do organismo. Nos primeiros dias após a alta, a reabilitação cardiopulmonar domiciliar permite dar continuidade ao tratamento com segurança e conforto.

Durante as visitas, o fisioterapeuta monitora a evolução clínica, adapta os exercícios e orienta o paciente e seus familiares. Em caso de sinais de alerta ou alterações clínicas, ele mantém comunicação direta com o cirurgião cardiovascular e a enfermeira assistente, permitindo rápida reavaliação do tratamento quando necessária. Essa atuação integrada favorece a identificação precoce de intercorrências e prepara o paciente para a próxima fase da reabilitação.

4. POSSO CAMINHAR? E COMO FICA A RESPIRAÇÃO?

Na maioria dos casos, sim. Aliás, caminhar é um dos primeiros exercícios recomendados após a cirurgia cardíaca. Pequenas caminhadas dentro de casa ou em locais planos ajudam a melhorar a circulação, recuperar o condicionamento físico, reduzir a perda de massa muscular e devolver a confiança ao paciente.

O tempo e a intensidade devem ser individualizados, sempre respeitando a evolução clínica e as orientações da equipe responsável.

Respirar bem também faz parte da recuperação. Após uma cirurgia cardíaca, é comum que os pulmões apresentem redução temporária da capacidade de expansão devido à anestesia, à dor e ao próprio procedimento cirúrgico. Os exercícios respiratórios orientados pelo fisioterapeuta cumprem funções essenciais:

  • Expandir novamente os pulmões e melhorar a oxigenação do organismo.
  • Reduzir o acúmulo de secreções nas vias respiratórias.
  • Prevenir complicações pulmonares, como atelectasias e pneumonias.

5. QUANDO CHEGA A HORA DE IR PARA A CLÍNICA?

À medida que o paciente recupera sua independência e recebe liberação da equipe assistencial, chega o momento de iniciar ou, para aqueles que realizaram a pré-habilitação, retornar à clínica para a reabilitação cardiopulmonar ambulatorial supervisionada.

Essa fase representa a continuidade do tratamento e tem como objetivo recuperar o condicionamento físico, promover o retorno seguro às atividades do dia a dia e reduzir o risco de novas complicações cardiovasculares.

Em um programa estruturado, o fisioterapeuta monitora continuamente a frequência cardíaca, a pressão arterial, a saturação de oxigênio e a resposta do organismo ao exercício, ajustando a intensidade das atividades de forma individualizada e segura.

Além dos exercícios, o paciente recebe orientações sobre controle dos fatores de risco cardiovasculares, alimentação adequada para a recuperação, retorno ao trabalho, atividades de lazer e prática regular de atividade física.

Diversos estudos demonstram que pacientes que participam de programas de reabilitação cardiopulmonar apresentam melhor capacidade funcional, menor risco de reinternações, melhor qualidade de vida e maior segurança para retomar suas atividades habituais.

6. AS FASES DA REABILITAÇÃO EM UM OLHAR

Para facilitar a compreensão dessa jornada, organizamos as etapas da linha de cuidado em um quadro-resumo. Cada fase tem objetivos próprios e conta com supervisão profissional adequada.

FaseQuando aconteceObjetivo principal
Pré-habilitaçãoAntes da cirurgia programadaPreparar o corpo, os pulmões e o metabolismo, reduzir complicações e ansiedade
Fase hospitalarDurante a internaçãoMobilização precoce, exercícios físicos e respiratórios permitem uma alta segura
Reabilitação domiciliarPrimeiros dias após a altaProgressão segura dos exercícios em casa, com monitoramento
Fase ambulatorialApós liberação da equipeRecondicionamento físico supervisionado na clínica
ManutençãoPor toda a vidaExercício regular e controle dos fatores de risco

7. A ALTA DA REABILITAÇÃO NÃO É O FIM DO CUIDADO

Concluir um programa de reabilitação cardiopulmonar representa uma grande conquista, mas não significa que os cuidados com a saúde do coração terminaram.

Os benefícios alcançados precisam ser mantidos por meio da prática regular de exercícios físicos, como musculação e caminhadas, da alimentação equilibrada, do controle da pressão arterial, do diabetes e do colesterol, da interrupção do tabagismo e do acompanhamento periódico com a equipe de saúde.

Diversos estudos demonstram que manter um estilo de vida fisicamente ativo após a reabilitação, associado ao controle dos fatores de risco cardiovasculares, reduz significativamente a chance de novos eventos. Em pacientes com boa adesão ao tratamento e às mudanças no estilo de vida, há relatos de reduções de até 50% no risco de novos eventos cardiovasculares, além de menos reinternações e maior expectativa e qualidade de vida.

Por isso, mais do que concluir um tratamento, o objetivo da reabilitação é ajudar o paciente a construir hábitos que protejam o coração por toda a vida.

8. O SUCESSO DA CIRURGIA CONTINUA NA RECUPERAÇÃO

Os melhores resultados acontecem quando o cuidado começa antes da cirurgia, por meio da pré-habilitação cardiopulmonar, continua durante a internação hospitalar e prossegue após a alta com a reabilitação domiciliar, evoluindo, no momento adequado, para a reabilitação ambulatorial supervisionada.

Essa linha de cuidado integrada favorece uma recuperação mais rápida, reduz complicações, aumenta a segurança durante o retorno às atividades e proporciona mais qualidade de vida a longo prazo. É esse mesmo princípio que orienta a recuperação após uma cirurgia de revascularização do miocárdio ou qualquer outro procedimento cardíaco.

Na Cardio Assist, trabalhamos em parceria com a Fisioassist Reabilitação Cardiopulmonar, coordenada pelo fisioterapeuta Marcos Antônio da Silva Ferreira Júnior, especialista em Fisioterapia Cardiovascular e Respiratória. Essa integração garante comunicação permanente entre a equipe cirúrgica e a equipe de reabilitação, com monitorização contínua, segurança e atenção integral ao paciente e à sua família, do preparo pré-operatório até a plena recuperação funcional.

9. PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE REABILITAÇÃO CARDÍACA (FAQ)

Q: Quando posso começar a caminhar depois da cirurgia cardíaca?

A: Na maioria dos casos, os primeiros passos são dados ainda no hospital, 12 a 16 horas após a cirurgia ou no dia seguinte, com supervisão da fisioterapia (protocolo ERAS). Em casa, pequenas caminhadas em locais planos são estimuladas desde os primeiros dias, sempre com progressão individualizada e orientada pela equipe.

Q: É normal sentir cansaço e inchaço nas primeiras semanas?

A: Sim. O organismo passa por um processo intenso de cicatrização e readaptação, e certo grau de fadiga é esperado. O cansaço deve diminuir progressivamente com a reabilitação. Cansaço extremo, falta de ar em repouso ou piora súbita devem ser comunicados imediatamente à equipe.

Q: Preciso mesmo de fisioterapia se a cirurgia foi minimamente invasiva?

A: Sim. As técnicas minimamente invasivas reduzem a dor e aceleram a recuperação, mas o recondicionamento cardiovascular, pulmonar e muscular continua sendo fundamental. A diferença é que, nesses casos, a progressão dos exercícios costuma ser mais rápida e confortável.

Q: Quanto tempo dura um programa de reabilitação cardiopulmonar?

A: A duração é individualizada, mas os programs ambulatoriais estruturados costumam se estender por cerca de 8 a 12 semanas ou mais, conforme a evolução de cada paciente. Após a alta do programa, a prática regular de exercícios deve ser mantida por toda a vida.

Q: A reabilitação cardíaca é indicada apenas para quem operou?

A: Não. Pacientes que sofreram infarto, que convivem com insuficiência cardíaca ou que passaram por procedimentos como angioplastia também se beneficiam enormemente dos programas de reabilitação, com redução comprovada de reinternações e de novos eventos cardiovasculares.

“Quando voltarei à ativa?” A resposta certa é individual e começa com uma avaliação especializada. Converse com a equipe da Cardio Assist e conheça o programa de reabilitação cardiopulmonar da Fisioassist, coordenada pelo fisioterapeuta Marcos Antônio da Silva Ferreira Júnior, em fisioassist.com.br.

10. REFERÊNCIAS CIENTÍFICAS

  1. Brown TM, et al. Core Components of Cardiac Rehabilitation Programs: 2024 Update. American Heart Association. Circulation. 2024. Disponível em: https://doi.org/10.1161/CIR.0000000000001289
  2. Dehmer GJ, et al. 2023 AHA/ACC Clinical Performance and Quality Measures for Coronary Artery Revascularization. Journal of the American College of Cardiology. 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jacc.2023.03.409
  3. Kunst G, Agarwal S. Fitter, better, sooner: prehabilitation and clinical outcomes in cardiac surgery. Anaesthesia. 2023. Disponível em: https://doi.org/10.1111/anae.16146
  4. Anderson L, Oldridge N, Thompson DR, et al. Exercise-Based Cardiac Rehabilitation for Coronary Heart Disease. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2016. Disponível em: https://doi.org/10.1002/14651858.CD001800.pub3
  5. American Association of Cardiovascular and Pulmonary Rehabilitation (AACVPR). Guidelines for Cardiac Rehabilitation Programs. 6ª ed. Human Kinetics. 2020. Disponível em: https://www.aacvpr.org/Publications
  6. European Society of Cardiology (ESC). Guidelines on Cardiovascular Disease Prevention in Clinical Practice. European Heart Journal. 2021. Disponível em: https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehab484

Nota de privacidade e ética médica: As imagens que ilustram este artigo são representações artísticas inspiradas em casos reais de nossa prática clínica. Optamos por utilizar ilustrações estilizadas para preservar integralmente a privacidade, a confinabilidade e a identidade dos nossos pacientes, em estrita conformidade com as normas de ética médica e com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Autoria: Fisioterapeuta Marcos Antônio da Silva Ferreira Júnior Fisioterapia Cardiovascular e Respiratória RQE 1140180019 (Fisioterapia Cardiovascular) e 1020241037 (Fisioterapia Respiratória) • CREFITO CREFITO-13 / 80255-F.

Fonte: CARDIOASSIST

FISIOASSIST® - Reabilitação Cardiopulmonar e Metabólica RE 636-MS

Clínica de Fisioterapia pioneira em Reabilitação Cardiopulmonar no Mato Grosso do Sul, unindo experiência especializada, tecnologia moderna e protocolos atualizados para ajudar nossos pacientes a recuperar a saúde, ganhar autonomia e viver melhor.